Unidas a favor do aborto

Fonte: Jornal do Commercio

O Centro do Recife vai concentrar, hoje, as manifestações em torno do Dia Latino-Americano e Caribenho pela Legalização do Aborto. No Pátio do Carmo, bairro de Santo Antônio, diversas entidades de defesa dos direitos da mulher realizam ato pedindo a descriminalização da interrupção induzida da gravidez. Apresentações teatrais e distribuição de panfletos tentarão chamar a atenção da população para a causa. As ações acontecerão pela manhã.

O principal argumento das organizações que defendem a legalização do aborto no País envolve a questão da saúde pública. Recentemente, a Universidade de Brasília e o Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis) divulgaram a Pesquisa Nacional do Aborto. A organização não governamental e a UNB ouviram milhares de mulheres em todo o Brasil. Quase metade das que fizeram aborto recorreu ao sistema de saúde e foi internada por complicações relacionadas ao procedimento. E aos 40 anos, uma em cada cinco mulheres já fez aborto. A prática é mais comum nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

É grande o impacto dos procedimentos de interrupção de gravidez feitos clandestinamente. A curetagem após aborto foi a cirurgia mais realizada no Sistema Único de Saúde (SUS), entre 1995 e 2007, segundo levantamento do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo.Com base em dados do Ministério da Saúde, os pesquisadores analisaram mais de 32 milhões de procedimentos nesse período. Ficaram de fora cirurgias cardíacas, partos e pequenas intervenções que não exigem a internação do paciente.

Outro estudo, desta vez qualitativo, ouviu 11 mulheres que foram processadas judicialmente por terem cometido aborto. A pesquisa mostrou que quase a metade foi denunciada à polícia pelos médicos que as atenderam nos hospitais. O Grupo Curumim e o Instituto Ipas identificaram maus-tratos e negligência no atendimento a mulheres em procedimentos pós-abortivos em unidades do SUS de Pernambuco, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Bahia.

“Ninguém é a favor do aborto em si. Somos a favor de que a mulher não tenha que passar por isso nunca. Mas, se falhou o método contraceptivo ou o serviço público ou a informação não chegou, a mulher precisa ter o direito de decidir se vai ou não continuar a gravidez”, afirma a diretora da Frente contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, Paula Viana.

No ato público de amanhã, estarão presentes ainda representantes do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) e Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB). O grupo teatral Loucas de Pedra Lilás prepara apresentação especialmente para marcar a data. O movimento acontece das 7h às 10h.

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