Aborto inseguro é tema de debate na UnB

O aborto realizado em condições inseguras figura entre as principais causas de morte materna e é motivo de discriminação e violência institucional contra as mulheres nos serviços de saúde. Esse é um dos resultados de pesquisas realizadas pelo Grupo Curumim (PE) e Ipas Brasil (RJ), e que foram apresentadas, na palestra O impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres e nos serviços de saúde em cinco estados brasileiros: subsídios para o debate político. Os estudos, que foram realizados nos estados de Pernambuco, da Paraíba, Bahia, do Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, visam gerar debates sobre a realidade do abortamento inseguro e o impacto da ilegalidade na saúde e na vida das mulheres e nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). A palestra acontece no auditório do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), das 9h30 às 12h.

As principais causas de morte materna no Brasil, apontadas pela pesquisa nacional de 2002, sob o patrocínio do Ministério da Saúde, foram a hipertensão arterial, as hemorragias e o aborto. Todas essas causas são consideradas evitáveis. “Criminalizar o aborto não impede a sua prática. Muito pelo contrário, vulnerabiliza as mulheres mais pobres e dificulta o atendimento nos serviços de saúde, pois ao ser tratado ainda como um crime, pecado, estigma e tabu, faz com que muitos profissionais se recusem ou posterguem atender as mulheres que chegam em situação de abortamento”, afirma Paula Viana, coordenadora do Grupo Curumim e secretária das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

Entre os principais resultados das pesquisas, estão:

– Mulheres negras morrem muito mais em consequência de abortos inseguros, quando analisada a variável raça/cor;

– Mulheres que tiveram complicações por aborto estão entre as pacientes mais negligenciadas quanto aos cuidados de promoção da saúde reprodutiva e não são encaminhadas a serviços e profissionais capacitados;

– Há predominância de mulheres jovens, entre 20 e 29 anos, nos diagnósticos de aborto espontâneo e aborto por razões médicas;

– Nos cinco estados, a intervenção mais utilizada para assistir mulheres que abortaram é a Curetagem pós-aborto (CPA), procedimento mais caro e que oferece mais riscos de infecção para as mulheres, na contramão da indicação do Ministério da Saúde de utilizar a Aspiração Manual Intra-uterina (AMIU);

– Em Salvador (BA) e Petrolina (PE), o aborto inseguro foi a primeira causa de morte materna.

Além do Grupo Curumim e do Ipas Brasil, a elaboração dos dossiês contou com a parceria de diversas organizações, como Cfemea, Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, Rede Feminista de Saúde, Articulação de Mulheres Brasileiras, Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, Cunha Coletivo Feminista,  IMAIS-BA, Coletivo de Jovens Feministas de Pernambuco, Rede Mulheres em Articulação da Paraíba e Articulação de Mulheres do Mato Grosso do Sul.

Os resumos das pesquisas estão disponíveis na página “Dados e pesquisa” deste blog.

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